Premier League inglesa: VAR longe da perfeição

Premier League inglesa: VAR longe da perfeição

O sistema de vídeo-árbitro começou a ser utilizado na Premier League no início da atual temporada. Após somente quatro jornadas, são várias as imperfeições deste sistema que já ficaram “a nu”. Antes do início da época, preparámos um “briefing” com tudo aquilo que precisas de saber sobre este sistema – lê mais aqui.

VAR: Quais são os contras?

Toda a gente percebe quais são os pontos a favor do VAR – maior assertividade em algumas decisões fulcrais. No entanto, parecem ser mais os contras, sendo que o maior de todos é precisamente que nenhuma decisão é unânime. Mesmo com a repetição do VAR, a natureza do futebol leva-nos a estar em desacordo e a debates. Todas as decisões continuam a estar sujeites à interpretação humana – uma falta pode até ser considerada grande penalidade para um árbitro, mas outros dois nunca concordariam com essa decisão.

O segundo problema está associado à decisão do fora-de-jogo. É uma decisão muitas vezes milimétricas e só há duas decisões possíveis – fora-de-jogo ou não. No entanto, a velocidade do jogo de futebol muitas vezes impede que os sistemas de vídeo consigam detetar tudo, ainda que possam ser gravados 120 frames por segundo. Milímetros podem ser decisivos e um jogador que num dos frames está em jogo, no seguinte, pode muito bem estar dez centímetros em fora-de-jogo. Como escolher exatamente qual o frame do momento em que a bola é passada? Há uma grande hipótese de erro e, se quisermos, dá azo a acusações relativas à probabilidade de o árbitro querer beneficiar determinado clube.

Os adeptos de futebol dizem que o VAR está a “matar o futebol que conhecemos”. O mais importante num jogo de futebol são os golos e festeja-los de forma instantânea parece algo que se vai perder com os tempos. Comparando com outros grandes desportos, o futebol é a modalidade com menos golos. O momento do golo é de êxtase, seja no estádio ou na TV e esse entusiasmo tem sido tantas vezes interrompido em função do recurso ao VAR. Essas pausas levam muito tempo e para o jogo excessivamente. Esse tipo de situações levam a que sejam adicionados vários minutos de compensação a ambas as partes, mesmo quando nenhuma substituição se realizou.

Consistência é o maior problema

Nestas primeiras rondas da Premier League inglesa, o VAR decidiu essencialmente questões associadas a foras de jogo. Não há consistência naquilo que é o acompanhamento do jogo em campo, logo podemos ver alguns golos em que uma mão passa em claro e, 20 segundos depois, a questão já é um alegado fora de jogo. Presumindo que não há fora de jogo e o golo é validado, o que acontece com a mão na bola antes? Se o VAR fosse de confiança, deveria dar sempre 100 por cento de garantias. Mas neste caso, o jogo demoraria três horas, uma vez que teriam que ser confirmados todos os lances de falta, canto ou lançamento.

Este fim-de-semana ocorreram alguns problemas “típicos” no encontro entre Leicester e Bournemouth. Tielemans fez uma entrada dura a Callum Wilson e, após a revisão do VAR, não houve lugar a cartão vermelho. A maioria dos espetadores esperava uma cartão vermelha, mas a realidade é que a “maioria” não sinonimiza maior assertividade.

Outra situação interessante corresponde ao golo de Henri Lansbury do Villa frente ao Crystal Palace, tendo anulado devido à qued ade Jack Grealish antes da assistência para golo. O jogador obviamente caiu devido a um forte contacto, mas qual seria a melhor decisão? A maioria crê que o Villa foi “roubado” nesse lance, mas uma vez mais, não foi a opinião da maioria que imperou.

Aston Villa VARNas primeiras semanas da época, os árbitros da Premier League têm errado em várias ocasiões e o VAR só tem contribuído para o aumento da controvérsia. Algo terá que ser feito durante a pausa para compromissos internacionais porque, até ver, as “novidades” só têm piorado o cenário ao contribuírem para decisões sem sentido.

Confirma como o VAR poderia ter alterado dez momentos fulcrais da história do futebol mundial